Sermo in occasione Primæ puerorum Communionis

Bethlehem a Brasilia, 8 decembris A.D. 2019

A alegria da Comunhão e a esperança da santidade

Ave Maria.

Divino Menino Jesus.

Nossa Senhora do Rosário

Santo Antônio de Lisboa.

Quero dirigir algumas palavras a vocês, crianças que irão receber hoje, pela primeira vez, o Sacramento da Eucaristia. Vocês devem alegrar-se, crianças, por estarem hoje nesta igreja, a fim de receber o Sacramento da Eucaristia e os motivos para vocês alegrarem-se não são poucos.

O primeiro motivo é que se vocês foram aprovadas pelos seus catequistas e pelo Padre que as examinou, então, vocês, crianças, devem tomar consciência que vocês conhecem suficientemente a nossa santa doutrina católica; vocês conhecem o que as crianças da idade de vocês devem saber, e por este motivo vocês devem alegrar-se porque a graça de Deus não passou em vão na vida de vocês, a graça de Deus não foi inútil na vida de vocês. Esta é uma grande alegria: a graça de Deus foi fecunda na vida de vocês, porque vocês aprenderam o Catecismo das crianças e estão prontas para comungarem. É uma grande alegria principalmente em nossa época, quando tantas crianças não são educadas na Fé católica, quando tantas crianças não são batizadas, quando tantas crianças são privadas de inúmeras graças por culpa dos pais e dos parentes, quando tantas crianças não tiveram sequer o privilégio de nascer, por uma decisão injusta dos pais. Vocês conhecem o Catecismo, crianças, esta é uma grande alegria.

O segundo motivo é que não apenas vocês foram aprovadas pelos seus catequistas e pelo Padre que as examinou, vocês também se confessaram, vocês já receberam o segundo Sacramento da vida de vocês, o Sacramento da Penitência. Esta é uma grande alegria: vocês irão receber o Sacramento da Comunhão com o coração puro, purificado mesmo dos pecados leves, dos pecados veniais. Quanto mais nós estamos bem dispostos interiormente, quanto mais limpa e preparada está a nossa alma, melhor será a recepção da Comunhão, melhor será a Comunhão que faremos. Portanto, crianças, podemos esperar que vocês estão entre as almas que receberão as maiores graças hoje nesta igreja. É uma grande alegria principalmente em nossa época, em que tantos adultos dizem que “não têm pecado”, “que só fazem o bem”, “que não desejam o mal de ninguém”, quando, na verdade, estes adultos têm muitos, têm numerosos pecados, mas que não enxergam porque não rezam, porque não pedem a Deus a luz da Sua graça para conhecerem quais são os seus pecados. Vocês se confessaram, crianças, quando há tantos adultos que estão fugindo do confessionário, ou seja, estão fugindo de Deus, para não terem que renunciar a um “bezerro de ouro”, a um pecado de estimação, como por exemplo, um relacionamento pecaminoso. Vocês se confessaram, crianças, esta é uma grande alegria.

Mas esta alegria, crianças, não pode terminar na Primeira Comunhão. Seria inadmissível que, no próximo domingo, vocês faltassem à Santa Missa por preguiça, ou que ao longo da semana vocês não rezassem e se esquecessem de Nosso Senhor. Daqui por diante, crianças, vocês devem procurar praticar as suas orações mesmo quando os adultos não pedem, porque a partir da Comunhão, Jesus é o maior e o melhor amigo das almas de vocês. É preciso lembrar-se deste grande amigo todos os dias, muitas vezes por dia, porque Jesus não desce até a alma de vocês para ser esquecido ou desprezado. Daqui por diante, crianças, vocês devem fazer de tudo para não perderem a maior alegria do mundo, a alegria de poder comungar.

 Nós, os adultos, sabemos que as crianças nem sempre obedecem aos pais, nem sempre fazem o que os pais, os avós ou os professores pedem. Depois de terem se confessado e partir da Primeira Comunhão, vocês devem cumprir a lei de Deus obedecendo aos pais, obedecendo aos avós e aos professores. Mas se os pais ou qualquer outro adulto pedir algo que for contra a lei de Deus, saibam: mais vale obedecer a Deus do que aos homens. Para não perder a alegria de poder comungar, será necessário, muitas vezes na vida, reprovar certas atitudes dos adultos. Infelizmente, crianças, os adultos não são exemplares em todo tempo. Façam de tudo, crianças, para preservarem a própria inocência, o estado de graça, para estarem em condições de comungar hoje e sempre. Façam de tudo para não ofender o Coração de Jesus, mesmo que para isso seja necessário reprovar a ação dos adultos. Fujam, crianças, fujam de certos programas de televisão que são péssimos, fujam de certas companhias na Escola, daqueles colegas que dizem palavras feias, fujam da curiosidade do celular, que contém não poucos perigos.

E quanto a nós, os adultos, alegremo-nos da alegria destas crianças, e choremos a própria malícia, os próprios vícios, a própria miséria, que não é pouca. Nós, um dia, estivemos no lugar destas crianças. O que fizemos com a nossa inocência, o que fizemos com a graça santificante e as demais graças que Nosso Senhor amorosamente nos deu? Que Maria Santíssima nos ajude, que ela nos dê confiança de reaver o que miseravelmente perdemos, porque ela é imaculada, ela é toda pura, toda santa, toda formosa aos olhos de Deus: nada do que lhe pedirmos será negado por seu divino Filho. Então peçamos com confiança a graça de podermos comungar novamente com o coração puro mesmo das menores imperfeições, porque o Reino dos Céus pertence àqueles que se fazem semelhantes às crianças (cf. Mt. XIX, 14).