A Missa e a Vida Interior – D. Bernardo de Vasconcelos OSB [Resenha do Livro]

Essa resenha, assim como as demais, tem como objetivo divulgar os livros que estão disponíveis na lojinha na certeza de que colaborarão para o crescimento espiritual dos fieis, além de ajudarem na manutenção deste pequeno apostolado.

Resenha:

A Missa e a Vida Interior – D. Bernardo de Vasconcelos OSB

Quantas vezes já assistimos a missa? Muitas, certamente, já que pelo menos aos domingos e dias santos, os católicos devem ir à Igreja para dar a Deus o culto que Lhe é devido. É de se lamentar que grande parcela dos fiéis venha a tomar essa justa obrigação como rotineira ou protocolar, perdendo assim uma imensa quantidade de graças que cada missa pode nos oferecer. Penso que seja para esses tantos que D. Bernardo escreve esse livro, como também para aqueles que encontraram o grande tesouro da Missa Tradicional e agora precisam conhecê-lo melhor para amá-lo cada vez mais.

O autor nos convida a nos determos um pouco em cada parte da missa para que a partir de uma compreensão melhor dos significados dos textos e dos gestos tão sagrados que se desdobram diante de nós, possamos obter como que o alimento para a vida interior. Sim, no dizer dele, a missa é um convite à vida interior, mas não só. Ela também é, verdadeiramente, o centro dessa vida interior.

Primeiro, faz notar que várias orações, a partir do confiteor, preenchem a missa inteira de um espírito de compunção e de dor pelos nossos pecados, tão importante para a vida interior. Sobre essa compunção, D. Bernardo vai dizer: “imprime a toda nossa vida certa gravidade religiosa, e consequentemente afasta de nós a ligeireza de espírito”. Em seguida, o canto do gloria in excelsis, capaz de encher os corações de “admiração e de gozo à vista da majestade de Deus, de sua onipotência” e que nos recorda que “essa glória é de algum modo nossa, porque Cristo no-la conquistou pelos seus méritos infinitos”. Chegamos à epístola e ao evangelho, momento importante no qual “o nosso coração deve conservar-se pronto, aberto e dócil”.

À descrição do ofertório e das belas orações que ele contém, acrescenta um conselho: como membro do corpo místico de Cristo, pôr-se na patena, ser hóstia, “fazer por amor cada uma das pequenas ações do dia”. Faz também um alerta: Ao desfrutar da presença amorosa do Senhor, não devemos nos apegar, pois que ela “um dia pode faltar; Lá vem a aridez! (…) O caminho agora é agreste. Faz frio”. Depois de oferecida a hóstia, ela está separada e já pertence a Deus, portanto, conclui, devemos também separar-nos “das coisas do mundo se não efetivamente, pelo menos afetivamente”. Devemos também oferecer sacrifícios, não somente de modo abstrato, mas concreto. Assim deve caminhar a vida interior.

“Que empolgante não é o Prefácio!” Chegou a hora de recordarmos os grandes benefícios e bondades do Senhor e “confessar solenemente que é digno e justo que se lhe deem graças, muitas graças”. Segue-se o Sanctus, quando pela voz do sacerdote, pedimos para louvar ao Senhor juntamente com toda a hierarquia angélica. Diz D. Bernardo que não vemos mais nada a não ser Jesus Cristo “caminhar na presença do Pai celestial, e então na majestade do seu pontificado eterno (…) fazer ressoar a voz augusta do seu louvor, e em breve da sua súplica, por aquela que Ele quer gloriosa, sem mancha nem ruga, santa e imaculada”.

Agora reina o silêncio. O livro nos detalha cada uma das veneráveis orações do Cânon Romano que precedem o grande momento: a consagração. O sacerdote “agora desaparece ante a pessoa sagrada de Jesus que vem renovar os gestos, as palavras e os milagres da última Ceia, que vem realizar o mistério por excelência da nossa fé”. O autor nos diz que deveríamos permanecer numa perpétua admiração e num ato incessante de amor! Mais ainda, deveríamos ser limpos, castos e puros. Concluindo a descrição do cânon, lembra-nos que Deus quer se dar todo a nós, mas não se dá “senão por Cristo, com Cristo e em Cristo”.

Antes de falar propriamente da comunhão, D. Bernardo nos orienta da necessidade de uma preparação para comungar bem, e faz isso com citações muito belas, de santos e grandes autores como D. Columba Marmion. São várias notas de rodapé que valem cada breve pausa na leitura do texto principal. Na comunhão, ressalta que é preciso dizer a Jesus “com confiança e a simplicidade de uma criança, tudo quanto for ao coração.” Por fim, vai nos enumerar os efeitos da comunhão em nossa alma como que suplicando para que comunguemos frequentemente, quiçá diariamente, reconhecendo a grandeza do dom divino e fazendo de nossas vidas um Laus Perene.

Enfim, estou certo que a leitura desse pequeno livro é capaz de nos convencer a empreender em nossa vida espiritual, se ainda não o fazemos ou fazemos com pouca diligência porque, nas palavras do autor, “se nós meditássemos bem estas orações tão belas, e procurássemos fazer com que o nosso entusiasmo se traduzisse em obras conformes com o que dizemos, outro seria o fruto da nossa assistência à santa missa; outros seriam os indivíduos, outras as famílias, outras as sociedades”.