Meditação – Do amor que São José teve a Jesus e Maria

Do amor que São José teve a Jesus e Maria

“Jacó gerou a José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus” Mt 1,16

 Sumário

A longa familiaridade de pessoas amantes faz muitas vezes resfriar o amor, porque, quanto mais tratam uns com os outros, tanto mais conhecem os defeitos mútuos. Mas não foi assim com São José. Quanto mais convivia com o divino Redentor e com a Santíssima Virgem, tanto mais chegou a conhecer-lhes a santidade. Concluamos disso quanto devia amar aqueles queridos penhores do seu coração, gozando tão longos anos a sua companhia. Roguemos ao Santo Patriarca que nos comunique uma parte de seu amor a Jesus e Maria; e ao mesmo tempo esforcemo-nos por imitá-lo, pela consideração de suas grandezas.

I

Considera em primeiro lugar o amor que José teve a Jesus. Já que Deus destinou o Santo a servir de pai ao Verbo humanado, com certeza infundiu-lhe no coração um amor de pai, e de pai de um filho tão amável, e que ao mesmo tempo era Deus. O amor de José não foi, portanto, um amor puramente humano, como o dos outros pais, mas um amor sobre-humano, visto que na mesma pessoa via seu Filho e Deus.

Bem sabia José, pela certa revelação divina recebida do Anjo, que o Menino, que via continuamente em sua companhia, era o Verbo divino, feito homem por amor dos homens, mas especialmente dele. Sabia que o Verbo mesmo o havia escolhido entre todos para a guarda de sua vida e que queria ser chamado seu Filho. Considera, de que incêndio de amor não devia estar abrasado o coração de José, ao considerar tudo isso e ao ver seu Senhor, que lhe servia como oficial, ora abrindo, ora fechando a loja, ora ajudando-o a serrar a madeira, ora manejando a plaina ou o machado, ora ajuntando os cavacos e varrendo a casa; numa palavra, que lhe obedecia em tudo que lhe mandava, e não fazia nada sem o consentimento daquele que considerava como seu pai.

Que afetos não deviam ser despertados no coração de José, quando O tinha nos braços, O acariciava, ou recebia as carícias daquele doce Menino! Quando escutava as palavras de vida eterna, que foram como outras tantas setas a ferirem-lhe o coração! Especialmente quando observava os santos exemplos de todas as virtudes que o Menino lhe dava! A longa convivência de pessoas que se amam mutuamente muitas vezes esfria o amor, porque, quanto mais convivem, tanto mais descobrem mutuamente os defeitos. Não foi assim com São José: quanto mais convivia com Jesus, tanto mais lhe descobria a sabedoria e a santidade. Conclui disso, quanto deve ter amado a Jesus, cuja companhia gozou, na opinião dos autores, pelo espaço de vinte e cinco ou trinta anos!

II

Considera em segundo lugar o amor que São José teve a sua santa Esposa. Era ela a mais perfeita entre todas as mulheres, a mais humilde, a mais mansa, a mais pura, a mais obediente e a mais amante de Deus, como nunca houve, nem haverá outra entre todos os homens e anjos. Era, pois, merecedora de todo o amor de José, que era tão amante da virtude. Acrescenta a isso o amor com que se via amado por Maria, que certamente preferia amar a seu Esposo a todas as criaturas. José considerava-a como a predileta de Deus, escolhida para ser Mãe do Filho Unigênito. Considera quão grande devia, por todos esses títulos, ser o afeto que o coração justo e grato de José devia nutrir para com sua Esposa amabilíssima.

Meu Santo Patriarca, alegro-me com a vossa ventura e grandeza, por serdes julgado digno da convivência com Maria Santíssima, e de governar como pai a Jesus e de vos fazer obedecer por Aquele a quem o céu e a Terra obedecem. Ó meu Santo, visto como Deus vos quis servir, também eu quero pôr-me no número de vossos servos. De hoje em diante quero servir-vos, honrar-vos e amar-vos como a meu senhor. Aceitai-me debaixo de vosso patrocínio e ordenai-me o que quiserdes. Sei que tudo que me queirais impor será para meu bem e para a glória do meu e vosso Redentor. São José, rogai a Jesus por mim. Ele certamente não vos negará nada, depois de ter obedecido na Terra a todas as vossas vontades. Dizei-lhe que me perdoe das ofensas que lhe tenho feito. Dizei-lhe que me desprenda das criaturas e de mim mesmo, que me abrase em seu amor e depois faça de mim conforme a sua vontade. E vós, ó Maria Santíssima, pelo amor que vos teve São José, acolhei-me debaixo de vosso manto, e rogai a vosso santo Esposo que me aceite como seu servo.

Meu querido Jesus, Vós que para pagar as minhas desobediências, quisestes humilhar-vos e obedecer a um homem, suplico-Vos pela obediência que na Terra tivestes a São José, concedei-me a graça de obedecer de hoje por diante a todos os Vossos divinos desejos. Pelo amor que tivestes a José e pelo que ele Vos teve, dai-me um grande amor a Vós, bondade infinita, digna de ser amada de todo o coração. Esquecei as injúrias que vos fiz e tende piedade de mim. Amo-Vos, Jesus, meu amor, amo-Vos, meu Deus, e quero amar-Vos sempre!

Extraído de “Meditações para todos os dias do ano” – Tomo II

Por Santo Afonso Maria de Ligório